Economia

Dólar dispara e atinge maior patamar desde março em dia de tensão no mercado

O dólar fechou a R$ 5,22, maior nível desde março, refletindo tensões globais e alta de juros nos EUA. Ibovespa recua pela quarta vez seguida.

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  • O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte pressão nesta segunda-feira (28), com o dólar registrando uma escalada que o levou…
  • O valor representa a maior cotação de fechamento da moeda norte-americana desde o dia 30 de março, refletindo um cenário de aversão…
  • A valorização da divisa estadunidense não é um fenômeno isolado, mas sim o resultado de uma combinação de fatores globais.
Dólar dispara e atinge maior patamar desde março em dia de tensão no mercado
© REUTERS/Willy Kurniawan/ Proibido reprodução

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte pressão nesta segunda-feira (28), com o dólar registrando uma escalada que o levou ao patamar de R$ 5,22. O valor representa a maior cotação de fechamento da moeda norte-americana desde o dia 30 de março, refletindo um cenário de aversão ao risco que dominou as negociações tanto no Brasil quanto no exterior.

A valorização da divisa estadunidense não é um fenômeno isolado, mas sim o resultado de uma combinação de fatores globais. A alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries, tem atraído investidores para ativos mais seguros, drenando liquidez de mercados emergentes. Somado a isso, o clima de incerteza geopolítica, especialmente envolvendo as tensões entre Estados Unidos e Irã, elevou a cautela dos agentes econômicos.

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Pressão externa e fuga de capitais

A dinâmica observada nesta segunda-feira ilustra como a política monetária de economias avançadas impacta diretamente o bolso do brasileiro. Quando os juros sobem nos Estados Unidos, o capital global tende a migrar para lá em busca de maior rentabilidade e segurança, o que pressiona o câmbio em países como o Brasil. O rendimento do título de dez anos do Tesouro norte-americano fechou o dia em 5,2319%, um avanço em relação aos 5,181% registrados na última sexta-feira (25).

Internamente, o cenário é acompanhado de perto por analistas que monitoram os desdobramentos das eleições presidenciais. Embora as pesquisas de intenção de voto não tenham provocado alterações bruscas no humor do mercado, a disputa acirrada mantém um clima de expectativa. Dados recentes do Banco Central indicam que o Brasil registrou um déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes durante o mês de agosto, enquanto o investimento direto no país alcançou US$ 7,396 bilhões.

Ibovespa em compasso de espera

A Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, também sentiu o peso do ambiente externo desfavorável. O índice encerrou o pregão com queda de 0,26%, atingindo 182.991,13 pontos. Este resultado marca o quarto dia consecutivo de perdas para o principal indicador do mercado acionário nacional, que sofreu com o desempenho negativo das bolsas em Nova York.

Apesar da sequência de quedas recentes, o saldo do Ibovespa em 2026 ainda é positivo, acumulando uma alta de 13,57% no ano e 3,14% apenas no mês de setembro. A volatilidade, contudo, permanece como uma marca do período, com investidores ajustando suas carteiras frente às novas projeções de inflação. O boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, elevou a estimativa para o IPCA de 2026 de 4,92% para 4,99%.

Volatilidade no mercado de petróleo

O setor de energia foi um dos pontos de maior atenção durante o pregão. O petróleo fechou o dia em alta, impulsionado pelas incertezas sobre o tráfego no Estreito de Ormuz e as tensões contínuas no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 0,40%, cotado a US$ 97,83, enquanto o WTI avançou 0,21%, a US$ 92,60.

Apesar da valorização, o preço da commodity oscilou durante o dia após notícias de possíveis avanços diplomáticos entre Washington e Teerã, além da retomada das operações no oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita. A capacidade de escoamento de cerca de 3,5 milhões de barris por dia trouxe um alívio momentâneo, mas não foi suficiente para dissipar o prêmio de risco que mantém os preços em patamares elevados.

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