A música erudita brasileira perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Faleceu, aos 72 anos, o maestro Roberto Tibiriçá, que desde 2022 ocupava o cargo de regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP). O músico estava internado em São Paulo, onde enfrentava um tratamento contra um câncer diagnosticado há cerca de dois anos.
A notícia do falecimento repercutiu profundamente no cenário artístico nacional. Reconhecido pelo rigor técnico e pela capacidade de conectar o público com o repertório sinfônico, Tibiriçá deixou um legado de transformação à frente da OSP. Sob sua batuta, a orquestra viveu momentos de expansão artística e maior visibilidade em palcos de prestígio pelo país.
Trajetória de excelência e dedicação à música
Nascido em São Paulo, Roberto Tibiriçá construiu uma carreira sólida, pautada pelo aprendizado com grandes mestres como Guiomar Novaes e Eleazar de Carvalho. Sua trajetória internacional e nacional incluiu passagens por instituições de renome, como a Orquestra Sinfônica Brasileira e a Orquestra Petrobras Sinfônica. Ao longo de quatro décadas, ele não apenas regeu, mas formou gerações de músicos e plateias.
O reconhecimento de seu trabalho veio por meio de diversas premiações, incluindo o Prêmio APCA de melhor regente e a Ordem do Ipiranga. Em 2024, sua contribuição foi coroada com o título de Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais, consolidando sua posição como um dos pilares da regência no Brasil.
O impacto de Tibiriçá na Orquestra Sinfônica do Paraná
A passagem de Roberto Tibiriçá pelo Centro Cultural Teatro Guaíra foi marcada por um salto qualitativo na execução e na gestão da Orquestra Sinfônica do Paraná. Um dos pontos altos dessa gestão ocorreu em maio de 2025, durante o aniversário de 40 anos da OSP, quando o maestro regeu a monumental Sinfonia nº 2, de Gustav Mahler, em uma apresentação histórica que reuniu mais de 200 artistas no palco.
Mesmo diante do avanço da doença, o maestro manteve uma agenda intensa. Ele foi o responsável por levar a OSP a palcos como a Sala São Paulo e a Sala Minas Gerais, além de promover a democratização do acesso à música através de projetos como o Mostly Mozart, realizado no vão-livre do Museu Oscar Niemeyer. Sua última apresentação pública ocorreu em 16 de julho, em Londrina, reafirmando seu compromisso inabalável com a arte até os últimos momentos.
Legado e despedida
O diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, destacou que a marca deixada pelo maestro vai além da técnica. “Perdemos um grande maestro, mas seu legado permanecerá vivo em cada músico, em cada concerto e em cada pessoa que foi tocada por sua música”, afirmou. A dedicação de Tibiriçá à renovação do acervo de instrumentos da orquestra e ao fortalecimento do grupo paranaense são pontos que a instituição destaca como fundamentais para o futuro da orquestra.
A despedida de um dos maiores nomes da regência brasileira deixa um vazio, mas também um vasto repertório de memórias e gravações que continuarão a ecoar. O Notícias Curitiba segue acompanhando as homenagens e os desdobramentos sobre as cerimônias de despedida do maestro, mantendo nosso compromisso de levar até você as informações mais relevantes sobre a cultura e os acontecimentos que marcam a nossa região. Continue conosco para mais atualizações.
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