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Alta no preço do limão reflete quebra de safra e instabilidade climática

Preço do limão dispara no Brasil devido a quebra de safra causada por chuvas excessivas. Entenda os motivos e a previsão para a normalização.

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  • O consumidor brasileiro tem sentido no bolso o impacto da valorização acentuada do limão nos últimos meses.
  • O fruto, que costuma apresentar oscilações naturais de preço devido à sazonalidade, atingiu patamares muito acima da média histórica para o período,…
  • Impacto da instabilidade climática na produção A raiz do problema reside na precariedade da safra atual, severamente afetada por condições meteorológicas desfavoráveis.
Alta no preço do limão reflete quebra de safra e instabilidade climática
Foto: Tânia Rêgo/ABr

O consumidor brasileiro tem sentido no bolso o impacto da valorização acentuada do limão nos últimos meses. O fruto, que costuma apresentar oscilações naturais de preço devido à sazonalidade, atingiu patamares muito acima da média histórica para o período, impulsionado por uma combinação de fatores climáticos adversos e redução na oferta nacional.

Impacto da instabilidade climática na produção

A raiz do problema reside na precariedade da safra atual, severamente afetada por condições meteorológicas desfavoráveis. O excesso de chuvas e o aumento de dias nublados no início do ano prejudicaram diretamente a florada, fase crucial para a formação dos frutos que chegariam ao mercado no segundo semestre. Segundo pesquisadores do Cepea/Esalq, a umidade elevada não apenas reduziu a quantidade de limões com qualidade comercial, mas também dificultou o processo de colheita nas principais regiões produtoras.

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O cinturão cítrico paulista, responsável por cerca de 80% da produção nacional, foi o epicentro da crise. Municípios como Matão e Bebedouro, que concentram a maior parte da área produtiva, sofreram com chuvas acima da média, especialmente em julho. Esse cenário comprometeu o pegamento de frutos de floradas anteriores, eliminando o estoque que deveria suprir a demanda durante os meses de escassez.

Números da alta no mercado atacadista

Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ilustram a magnitude da escalada de preços. No cinturão cítrico, o valor pago ao produtor pela caixa de 27,2 kg saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado expressivo em curto intervalo. A comparação anual também revela um cenário de encarecimento, com valores significativamente superiores aos registrados no mesmo período do ano anterior.

Nos grandes entrepostos, a situação não foi diferente. No Ceagesp, em São Paulo, o preço do quilo disparou de R$ 1,82, no início da entressafra em maio, para R$ 8,62 no pico de setembro — uma variação de 374%. A CeasaMinas, na Grande BH, acompanhou a tendência, com o valor do quilo saltando de R$ 2,50 para R$ 8,50 no mesmo intervalo.

Perspectivas para a normalização dos preços

A expectativa de alívio para o consumidor está atrelada à chegada da nova safra, prevista para ganhar volume relevante a partir de meados de novembro. Embora tenha havido uma leve retração nos preços no Ceagesp nas últimas semanas, especialistas alertam que a tendência de estabilidade ainda é incerta. O impacto climático não se restringiu apenas ao volume atual, mas pode deixar reflexos na produtividade dos próximos ciclos.

Além da oferta reduzida, a competição entre o mercado interno e as exportações — que absorvem cerca de 11% da produção, com foco na Europa — e o aumento da demanda interna impulsionado pelo calor atípico em agosto e setembro mantiveram a pressão sobre os preços. O setor agora monitora as condições climáticas para o próximo ano, atento a fenômenos como o El Niño, que podem elevar o estresse hídrico das plantas e afetar novas floradas.

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