Ação de fiscalização contra lotes irregulares
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta sexta-feira (25), a apreensão imediata de dois lotes do medicamento Ocrevus (ocrelizumabe) 300 mg/10 ml. A medida, oficializada por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União, foca nos lotes H7953B14 e H7953B06. O fármaco é amplamente utilizado no tratamento de pacientes com formas recorrentes de esclerose múltipla e esclerose múltipla progressiva primária, tendo recebido registro no Brasil em 2022.
A investigação da agência reguladora apontou que os produtos foram distribuídos em julho pela empresa Laf Med Distribuidora de Medicamentos e Materiais Hospitalares Ltda. O problema central reside no fato de que a distribuidora não possui autorização para operar no mercado farmacêutico brasileiro. Segundo a Anvisa, a Autorização de Funcionamento (AFE) da companhia está inativa desde outubro de 2025, tornando qualquer atividade de importação ou comercialização realizada por ela irregular.
Riscos à integridade do tratamento
Embora os medicamentos tenham sido fabricados originalmente pela detentora do registro, a Anvisa esclarece que esses lotes específicos não foram destinados ao mercado brasileiro, sendo voltados originalmente para outros países. A entrada desses produtos no território nacional ocorreu sem os devidos protocolos de controle e vigilância sanitária.
A preocupação das autoridades reside na cadeia de custódia. “Não é possível garantir que tenham sido mantidas as condições sanitárias necessárias à conservação e à integridade do medicamento ao longo de toda a cadeia de distribuição até sua entrada no país”, destacou a agência em nota oficial. Além da apreensão, a resolução proíbe qualquer tipo de armazenamento, venda, propaganda ou transporte dos lotes mencionados. A Anvisa ressaltou que a proibição é restrita aos dois lotes citados, devido à sua origem irregular.
Histórico de irregularidades e medidas cautelares
Não é a primeira vez que a Laf Med entra no radar das autoridades. A empresa já havia sido autuada anteriormente por envolvimento na distribuição de medicamentos falsificados, um caso que foi encaminhado para investigação pelas autoridades policiais. A reincidência em práticas que colocam em risco a saúde pública reforça a necessidade de atenção redobrada por parte de pacientes e instituições de saúde ao adquirir insumos médicos.
Em paralelo, a Anvisa também determinou o recolhimento de todos os medicamentos manipulados estéreis produzidos pela ICT Farmacêutica Ltda. entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro de 2026. A decisão suspende a manipulação, venda e divulgação dos produtos da empresa. A fiscalização identificou falhas graves em processos assépticos, monitoramento ambiental e sistemas de garantia de qualidade, o que compromete a esterilidade e a eficácia das preparações. O portal Anvisa segue monitorando o mercado para garantir a segurança dos pacientes.
O Notícias Curitiba mantém seu compromisso em levar até você informações verificadas e de utilidade pública. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre saúde, segurança e os principais acontecimentos que impactam o dia a dia da nossa sociedade.
Mais sobre este assunto
Nova lei estabelece padrões de qualidade e fiscalização para hospitais particulares no Brasil
Lula sanciona lei que impõe critérios de qualidade e fiscalização a hospitais privados
Ministério da Saúde intensifica busca ativa por apostadores após proibição das bets
Governo solicita inclusão de canetas emagrecedoras no rol de medicamentos do SUS