A balança comercial brasileira apresentou um desempenho robusto em setembro de 2026, consolidando um superávit de US$ 7,74 bilhões. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), representa mais que o dobro do saldo positivo registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o país atingiu US$ 3,14 bilhões. Este cenário coloca setembro como o segundo melhor mês da série histórica para o período, ficando atrás apenas do recorde de 2023.
O movimento foi sustentado por um crescimento expressivo de 12,9% nas exportações, que totalizaram US$ 34,42 bilhões. Paralelamente, a corrente de comércio — a soma de tudo o que o Brasil vendeu e comprou lá fora — alcançou US$ 61,09 bilhões, configurando o maior valor já registrado para meses de setembro na história do país.
Força das commodities e impacto geopolítico
O protagonismo no saldo positivo coube à indústria extrativa, que registrou alta de 39,8% em suas exportações. O setor foi impulsionado significativamente pelas vendas de petróleo bruto e minério de cobre. No caso específico do petróleo, o aumento na produção nacional somado a uma valorização de 24,7% nos preços médios internacionais — reflexo direto do agravamento dos conflitos no Oriente Médio — elevou a receita das exportações brasileiras.
Além do setor extrativo, a indústria de transformação e o agronegócio também contribuíram para o resultado positivo. Produtos como farelos de soja, combustíveis e o café não torrado mantiveram um ritmo sólido de embarques. A variação atípica em produtos como centeio e aveia, que saltaram de US$ 407 mil para US$ 127,8 milhões, foi atribuída a ajustes no cronograma de embarques, mas ilustra a dinâmica de diversificação da pauta exportadora.
Dinâmica regional e desafios comerciais
As exportações brasileiras demonstraram resiliência em mercados estratégicos. As vendas para a Europa cresceram 51,9%, enquanto o mercado norte-americano absorveu 30,6% a mais de produtos brasileiros, mesmo diante de tensões tarifárias recentes. Por outro lado, as exportações para a Ásia sofreram uma leve retração de 2,5%, enquanto o fluxo para a América do Sul permaneceu estável.
No campo das importações, houve um recuo de 2,4% no total. A queda foi puxada principalmente pela redução na compra de bens de capital, o que reflete uma cautela maior do setor industrial frente aos juros elevados, que desestimulam novos investimentos em máquinas e equipamentos. Em contrapartida, a importação de combustíveis subiu 41,2%, pressionada pela alta nos preços internacionais.
Projeções e o cenário para o restante de 2026
Apesar dos números positivos de setembro, o governo revisou para baixo a expectativa de superávit para o fechamento de 2026, passando de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Mesmo com o ajuste, a projeção mantém o Brasil em um patamar histórico, superando as estimativas de analistas de mercado consultados pelo Banco Central no boletim Focus, que preveem um saldo de US$ 78,3 bilhões.
O acumulado do ano, que já soma US$ 62,4 bilhões, demonstra que o comércio exterior continua sendo um dos pilares de sustentação da economia nacional. O Notícias Curitiba segue acompanhando os desdobramentos da política econômica e os impactos desses resultados na vida dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas sobre o cenário nacional e regional.
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